| DA CONSCIÊNCIA À TRAUMATIZAÇÃO |

Teus olhos despertaram
Ao nebuloso anoitecer
E por um instante
Seu corpo ali não estava
Pensou em Deus, pensou no Diabo
Até se deparar
Com o seu próprio pensamento, seu próprio ser
Ficou assustado, atônito, desfacelado
Não sabia como poderia ser assim...
Tão indeciso, tão atormentado
Por quem?
Não há importância
Pois o tormento o persegue desde sempre


Desistiu então de pensar no quão difícil
Era evitar suas visões e audições
Resolveu se contemplar
Com o que tinham lhe destinado
E então disse:
- Me suicidaram. Suicidaram-me para
um mundo diferente
no qual não se morre
apenas aperfeiçoa-se
a lunática mentalidade

Ao cair em sua própria razão
Percebe que é apenas um simples
Ser que pensa e reflete sobre os
Seus próprios insanos e lógicos
Pensamentos psicotraumáticos
De suma importância
Um ser natural que declara em
Sábias palavras o seu ardor...

“As vezes eu choro
Choro por nada
Choro por tudo
Pareço sentir o sofrimento
O sofrimento do mundo
De uma criança sem estudo
De uma criança intelectual
Pareço sair do corpo
Um corpo ativo
Um corpo parado
A alma do vivo
De um corpo deitado”

[bruno grossi]